A Arte do Ator entre os Séculos XVI e XVIII - Da Commedia dell'Arte ao Paradoxo sobre o Comediante

Autor(es): Portich, Ana

Editora: Perspectiva




Por: R$ 54,90

COLEÇÃO: Estudos - volume 254 - "A Arte do Ator entre os Séculos XVI e XVIII", analisa os principais conceitos que nortearam esta arte, no período em que foi pela primeira vez enunciada, da baixa Renascença até o Iluminismo. A preceptiva do ator aparece no século XVI, tendo como base a arte poética e a retórica, ambas consolidadas desde a Antiguidade e, portanto, referências obrigatórias para suas co-irmãs recém-nascidas, as artes do espetáculo. Como as nuanças da representação de uma peça acabam sendo definidas conforme a reação que se espera do público, o ator tem de incorporar ao seu desempenho essa oscilação, essa inconstância, razão pela qual os tratadistas não se pautam pelo modelo analítico-dedutivo da matemática, adotando antes um estilo errante, quase sempre em forma de diálogo.

Desse modo, perpassam temas como a quarta parede, literalmente preceituada por Diderot no século XVIII, embora desde o XVI fosse requerida, em outros termos, por autores italianos. E, ao constatar que o valor didático do teatro reside no fato de que a devassidão dos atores desaparece em cena, podendo-se ali dar bons exemplos morais, o enciclopedista expunha um paradoxo que havia sido tratado em chave oposta no século XVII, por Nicolò Barbieri: fora do palco os atores são dignos e honestos mas, ao colocar máscaras de facínoras, servem de contra-exemplo para a platéia. Vemos também que nem sempre a comédia foi considerada um gênero libertário e que, no período em questão, recursos cênicos como o distanciamento são largamente utilizados, concorrendo para envolver ainda mais o espectador, ao invés de romper a ilusão. A arte do ator surge em teatros palacianos e casas de espetáculo, mas comparece com o mesmo peso nas encruzilhadas e tablados. Desmistificam-se assim algumas de nossas mais caras teorias de teatro.

ISBN: 978-85-2730-8274

Edição/Ano: 1ª edição, 2008

Paginas: 224

Encardenação: Brochura

Comprimento: 22,50 cm.

Largura: 12,50 cm.

Altura: 1,20 cm.

SUMÁRIO

O PASSADO QUE SE FAZ PRESENTE – Mario Fernando Bolognesi ... XIII

PRÓLOGO ... XVII

1. REPRESENTAÇÃO DE CORTE ... 1
   Grimm, d’Alembert, Rousseau e o Paradoxo sobre o Comediante ... 1
   A Commedia dell’Arte e o Espetáculo Teatral como Fonte de Deleite ... 15
   Leone de’ Sommi: Teatro como Exemplo ... 26
   Do Mecenato de Maria de Médici à Comédie Italienne ... 35

2. A COMMEDIA DELL’ARTE E A ELABORAÇÃO DA ARTE DO ATOR ... 47
   Padre Garzoni e São Carlos: Setores da Igreja Favoráveis e Setores Desfavoráveis ao Teatro ... 47
   Os Andreinis, Pier Maria Cecchini, Flamínio Scala, Basílio Locatelli: a Apologia do Teatro Feita por
   Comediantes dell’Arte ... 51
   Argumentos de Nicolò Barbieri contra a Censura ... 60
   A Cristã Moderação do Teatro: a Censura Eclesiástica Proposta pelo Padre Ottonelli ... 67
   Luigi Riccoboni: a Tragédia da Commedia dell’Arte versus a Tragédia da Comédie Française ... 72
   Luigi Riccoboni e Carlo Gozzi: o Ator como Orador Monárquico ... 88

3. ENTRETIENS DE DIDEROT E SERMONES DE HORÁCIO: INDICAÇÕES PARA A ARTE DO ATOR ... 99

4. TEATRO DA VIRTUDE: O DISCURSO DE DIDEROT CONTRA A COMÉDIA DE CARACTERES ... 119

EPÍLOGO ... 135

A TRATADÍSTICA DO ATOR: FONTES PRIMÁRIAS ... 145

BIBLIOGRAFIA ... 165
ÍNDICE ONOMÁSTICO ... 181

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